Home Data de criação : 09/02/15 Última atualização : 11/10/17 13:43 / 23 Artigos publicados

Quem sou?  escrito em domingo 15 fevereiro 2009 12:08

Blog de pilotohernesto :Hangar Cmte Hernesto, Quem sou?

 Bem, meu nome é Hernesto sou piloto civil, tenho 34 anos, natural de Belém do Pará, sou uma pessoa legal que gosta de fazer novas amizades, brincalhona e sempre amiga.

 Adoro qual quer tipo de leitura, tenho um gosto musical voltado mais por pop, pop rock, internacional e mpb....abrindo algumas exceções em alguns estilos, mas não muito ok...rss.

 Sempre cultivo o bom habito da leitura e estudos....o estudo é o caminho sempre pra um bom futuro de vida e financeiro.

 Gosto de animais de estimação e atividades físicas, o que é bom pra todos nós é óbvio, sobre lazer gosto de alguns jogos virtuais e qual quer atividade voltada a atividade de aviação esportiva...

 Em relação a vida sentimental, sou modera nada de exagero ou falta....rss, o normal excencial pelo menos pra mim.....

 Bem por enquanto é so isso...ja sabem alguma coisa de mim...abraços.

 

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Conselhos para a vida - Vale apena relembrar! :)  escrito em domingo 15 fevereiro 2009 13:25

Conselhos para a vida

Desfrute do poder e da beleza de sua juventude. Oh, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza de sua juventude quando já tiverem desaparecido. Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos você olhará suas fotos e compreenderá de um jeito que não pode compreender agora, quantas possibilidades se abriram para você e o quão fabuloso você era. Você não é tão gordo/a quanto você imagina.

Não se preocupe com o futuro. Ou se preocupe, mas saiba que se preocupar é tão eficaz quanto tentar resolver uma equação de álgebra mascando chiclete. É quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida, são aqueles que nunca passaram pela sua mente, tipo aqueles que tomam conta da sua mente às 4 horas da tarde de uma terça-feira ociosa

Todos os dias faça alguma coisa que te assuste.

Cante.

Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável. Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação aos seus sentimentos.

Relaxe.

Não perca tempo com inveja. Às vezes você ganha, às vezes você perde. A corrida é longa, e no final, tem que contar só com você.

Lembre-se dos elogios que você recebe. Esqueça dos insultos. (Se você conseguir fazer isso, me diga como.)

Guarde suas cartas de amor. Jogue fora seus velhos extratos bancários.

Estique-se.

Não tenha sentimento de culpa por não saber o que você quer fazer da sua vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida. Algumas das pessoas interessantes de 40 anos que eu conheço ainda não sabem.

Tome bastante cálcio. Seja gentil com seus joelhos. Você sentirá falta deles quando não funcionarem mais.

Talvez você se case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez você se divorcie aos 40. Talvez você dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento. O que você fizer, não se orgulhe, nem se critique demais. Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo. Como as escolhas de todos os demais.

Curta seu corpo da maneira que puder. Use-o de todas as formas que puder. Não tenha medo dele ou do que as outras pessoas pensam dele. Ele é o maior instrumento que você possuirá.

Dance. Mesmo que o único lugar que você tenha para dançar seja sua sala de estar.

Leia todas as indicações, mesmo que você não as siga.

Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se sentir feio.

Saiba entender seus pais. Você não sabe a falta que você vai sentir deles quando eles forem embora pra valer. Seja agradável com seus irmãos. Eles são seu melhor vínculo com o passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca deixarão você na mão.

Entenda que os amigos vão e vem, mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com muito carinho. Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos e os obstáculos da vida. Quanto mais você envelhecer, tanto mais vai precisar das pessoas que te conheceram quando você era jovem.

More em New York City uma vez. Mas mude-se antes que ela te transforme em uma pessoa dura. More no Norte da Califórnia. Mas mude-se antes de se tornar uma pessoa muito mole.

Viaje.

Aceite algumas verdades eternas: Os preços vão subir, os políticos são mulherengos e você também vai envelhecer. E quando você envelhecer, você fantasiará que quando você era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram nobres e as crianças respeitavam os mais velhos.

Respeite as pessoas mais velhas.

Não espere apoio de ninguém. Talvez você tenha um fundo de garantia. Talvez você tenha um cônjuge rico. Mas você nunca sabe quando um ou outro pode desaparecer.

Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando tiver quarenta anos, vai ficar com a aparência de oitenta e cinco.

Tenha cuidado com as pessoas que lhe dão conselhos, mas seja paciente com elas. Conselho é uma forma de nostalgia. Dar conselho é uma forma de resgatar o passado da lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por um preço muito maior do que realmente vale.

Mary Schmich

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Medo de voar!  escrito em domingo 15 fevereiro 2009 14:07

Blog de pilotohernesto :Hangar Cmte Hernesto, Medo de voar!

Medo de voar!

Você tem medo de voar de avião? Grande parte das pessoas tem medo de voar. Em 1996, com o aumento do número dos acidentes aéreos, as pessoas ficaram atemorizadas. No entanto, somente 1 em um milhão de pessoas morre de acidente de avião. Mesmo assim, quem não sente um friozinho na barriga na hora da decolagem ou do pouso?

   Há uma diferença entre o medo de voar e aquele medo desproporcional chamado de fobia. Na fobia, a pessoa evita o vôo ( vai de carro ou adia a viagem). Ou então, passa muito mal. Pode sentir náuseas, enjôos, tonturas e ansiedade dias antes do vôo. Algumas pessoas entram em pânico durante a viagem. A fobia é um medo paralisante que limita a vida da pessoa. Ela não consegue enfrentar o medo e prefere evitar a situação que o provoca. E nem sempre o medo de voar está associado aos acidentes aéreos. A pessoa, às vezes, sente medo de passar mal durante a viagem, morrer ou ter um ataque do coração. 

  O medo de voar é até considerado natural. O homem está acostumado a andar, ter os pés fincados no chão. Ele sabe que a probabilidade de morrer de acidente de carro é muito maior. Mesmo assim, o medo vem. Algumas pessoas conseguem conviver bem com este medo. Voam naturalmente e não paralisam suas atividades e nem as viagens. No entanto, a fobia limita a pessoa. Esta fobia pode estar associada à síndrome do pânico, à depressão ou então outras fobias como: claustrofobia(medo de espaços fechados) ou agorafobia( medo de espaços abertos). Dentro de um carro, a pessoa pode pedir ao motorista para diminuir a velocidade,  parar o carro, enfim ela detém certo controle sobre a viagem. Dentro do avião, não há está possibilidade. Não há como descer do avião, abrir a janelinha para respirar um arzinho, ou mesmo pedir para o piloto descer o avião. O medo de voar está associado ao receio de mudanças, de coisas novas e também o fato de não poder controlar sobre os acontecimentos.

 O medo de avião tem tratamento? Tem. Algumas companhias aéreas dispõe de psicólogos que fazem a dessensibilização. Existem vôos programados para tratar o medo de voar. Alguns profissionais da área da medicina ou psicologia fazem o tratamento com a terapia cognitiva e também a comportamental. Procure se informar a respeito. Nestas sessões , a pessoa começa a entender o motivo da sua fobia.

 Em alguns casos, a pessoa depois de tratada pode até sentir medo de avião, mas é trabalhada para enfrentar a situação e consegue administrar bem o seu medo. Causas inconscientes, problemas emocionais, podem também causar o medo de avião. Ou mesmo um trauma por causa de acidente. Algumas pessoas após enfrentar um acidente aéreo ou um vôo turbulento, podem desenvolver a fobia. 

Algumas dicas para você que tem medo de voar:

  •  Dias antes do vôo, poderá sentir um pouco de ansiedade. Evite ficar pensando muito no vôo. Melhore o estado de ânimo pensando na finalidade do vôo: férias, visita de parentes, seus negócios.

  • Se tiver dificuldade para dormir, dias antes da viagem, faça alguma técnica de relaxamento. O controle da respiração é o melhor hipnótico.

  • Visite o aeroporto e identifique o avião em que você vai viajar.

  • Chegue cedo no aeroporto. A pressa só vai aumentar seu nervosismo.

  • Aceite seu medo. Não o reprima. Na auto aceitação de si mesmo é que enfrentará o medo de voar.

  • Peça um lugar na frente do avião onde é mais quieto e suave.

  • Compre revistas ou livros para ler.

  • Quando estiver dentro do avião, procure se distrair conversando com alguém ou observando as pessoas.

  • Não fique prestando atenção aos sintomas desagradáveis que possa estar sentindo durante o vôo. Foque sua atenção na leitura, no filme que estiver assistindo ou numa conversa agradável.

  • Através da respiração, você poderá controlar ou mesmo amenizar a sensação de medo.

  • Respire profundamente na hora da decolagem. Solte os ombros.

  • Estique as pernas, movimente os pés. Tudo isso ajuda na amenização dos sintomas desagradáveis.

  • Que tal visitar a cabine do piloto, depois da decolagem?

  • Coma alguma coisa.

  • Cautela com o álcool. O álcool não vai resolver seu problema. Beba com moderação.

  • Se começar a sentir algum mal estar ou sensação desagradável mentalize: "Isso vai passar!"

  • Se essas dicas não resolverem, procure ajuda profissional.

                                                                                           Sandra Cecília

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Voar1  escrito em domingo 15 fevereiro 2009 23:30

Voar

 

      Aos animais irracionais, basta-lhes existirem em seu período de vida - como sempre o foram geneticamente - pois que em seus cérebros não afloram ânsias de se destacarem entre seus semelhantes ou experimentarem sensações para as quais seus corpos não foram talhadas. Um cavalo galopa nas pradarias, assim como um peixe nada nos fluídos submersos e certas aves voam seguindo desígnios simples e transcendentes.

      No entanto, para uma grande parte dos seres humanos, nunca bastou o quinhão normal de possibilidades que a natureza permite. Se lhes faltam músculos adequados, garras, guelras ou asas, as inventam e fabricam. Pois para quando muito correr, usam rodas e motores. Ou quando a fundas águas penetram, valem-se de engenhos submarinos e escafandros.

      Já para imitar os pássaros e erguerem-se bem acima do solo até além das nuvens, desenvolvem hélices, máquinas, turbinas e asas. Aí então, voam! Não como os pássaros, mas simplesmente como homens. Homens denominados aeronautas, aviadores ou simplesmente pilotos. Pilotos de avião, helicóptero, balão, planador, asa voadora: leves, pesadões ou ultraleves, não importa.

      Se são profissionais alguns, muitos o fazem por lazer e outros por serem guerreiros, sendo parecidos entre si ou não. Mas, sem dúvida, todo homem do ar tem algo em si que o une a todos os demais do seu gênero, pouco importando se a máquina que controla em vôo seja usada para pulverizar lavouras, transportar pessoas, cuspir fogo ou divertir um público terrestre, extasiado com o exibir de suas evoluções acrobáticas.

      É algo indefinível que liga os aviadores todos entre si - espécie de encantamento talvez - quem sabe um tanto de sexto sentido a irmaná-los como pássaros da mesma família.

      Voar é basicamente pilotar uma máquina especial, consideradas apenas: inteligência e técnica humanas. Mas não será só isto, com certeza, pois se misturam a cada instante, êxtase prazeroso e temores repentinos, causados por esta mistura de metais, combustíveis, óleos, mostradores, turbilhões, pressões, vento, granizo, chuvas, escuros, claros, suavidades e brutalidades eventuais.

      Voar também traz as visões de paisagem e gente apequenada em conjunto distante. Envolve técnica e aventura, mescladas em vórtice que atordoa o piloto com a alternância das horas rotineiras e minutos tensos e críticos a espicaçar seus sentidos.

      Voar é como droga que vicia e causa incurável dependência.

      Voar é amar o avião, seu cheiro, seu mistério, seu comportamento, bom e mau. É também viver ligado aos campos de aviação, seus procedimentos e habitantes peculiares.

      Voar é deixar-se unir por elos invisíveis às máquinas e aos irmãos do ar.

      Voar não é somente para os pássaros!

Edgard Prochaska

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Carta de um homem temente a Deus  escrito em domingo 15 fevereiro 2009 23:34

Carta de um homem temente a Deus

      Não posso mais ficar calado. Alguém tem que dizer a vocês, que pilotam aviões, como nós estamos cansados de ouvir vocês falarem constantemente de aviação, de como é maravilhoso voar e por que é que nós não saímos por aí um domingo com vocês, para dar uma voltinha e ver como é.

      Alguém tem que dizer a vocês que a resposta é não, não iremos no domingo nem em outro dia qualquer, não subiremos com vocês nesses perigosos teco-tecos. A resposta, pelo que nos toca, é que o mundo seria muito melhor se os irmão Wright tivessem vendido os seus planadores ao ferro-velho e se esquecido dessa mania de voar.

      Um pouco ainda se tolera - afinal de contas, quem é que não desculpa um principiante entusiasmado? Mas esse fanatismo cotidiano e missionário de vocês está indo longe demais. Esse é bem o termo: missionário. Vocês parecem pensar que há algo de sagrado em andar pelos ares, mas nenhum de vocês se dá conta de como tudo isso parece infantil aos nossos olhos, aos olhos de quem tem algum sentimento de responsabilidade para com as nossas famílias e os nossos semelhantes.

      Eu não estaria escrevendo isto se a situação estivesse melhorando. Mas está ficando cada vez pior. Trabalho numa fábrica de sabão, num emprego seguro, pertenço a um bom sindicato e tenho direito a uma boa aposentadoria, Os homens com quem trabalho eram gente responsável, mas, agora, dos seis que trabalhávamos na Tina Número Três, cinco foram tomados dessa loucura de voar. Sou o único sujeito normal que resta. Paul Weaver e Jerry Marcus largaram o emprego há uma semana, largaram-no ao mesmo tempo, para entrar num negócio de publicidade em aviões.

      Falei com eles, argumentei com eles, mostrei-lhes os fatos financeiros da vida ... cheque certo a cada fim de mês, aposentadoria, sindicato ... mas era como se estivesse falando para as paredes. Sabiam que iam perder dinheiro ( ... a princípio - disseram - Até não terem mais um tostão - retruquei). Mas gostavam tanto da idéia de voar, que achavam que compensava largar a fábrica ... depois de quinze anos!

      A única explicação que consegui tirar deles foi que desejavam voar e uma expressão estranha, como se eu não pudesse entender por quê.

      E não entendo mesmo. Tínhamos tudo em comum, éramos ótimos amigos, até essa mania de aviação surgir - um "clube de vôo" ou coisa parecida, que pegou como lepra no pessoal lá da fábrica. Paul e Jerry largaram o clube de boliche no mesmo dia em que entraram para o "clube de vôo". Nunca mais voltaram e nem espero que voltem.

      Tirei uma hora, ontem, no meio da chuva, para ir até ao gramadinho mixuruca a que eles chamam aeroporto e falar com o sujeito que dirige o "clube de vôo". Queria que ele soubesse que está destruindo lares e empregos e que, se acaso tem algum senso de responsabilidade, o melhor que tem a fazer é procurar outra freguesia. Foi onde me ocorreu a palavra "missionário", só que não no bom sentido. Missionário do diabo, isso sim.

      Ele estava dentro de um galpão, mexendo num dos aviões.

      - Talvez o senhor não saiba o que está fazendo - disse-lhe eu -, mas, desde que o senhor chegou a esta cidade e fundou o seu "clube de vôo", mudou completamente a vida de muita gente.

      Por um momento acho que ele não percebeu a minha raiva, porque respondeu: - Eu só trouxe a idéia. Eles viram por si mesmos o que é voar - quase como se estivesse orgulhoso de ter arruinado tantas vidas.

      Parecia ter uns quarenta nos, mas aposto que é mais velho, e não parou de trabalhar para falar comigo. O avião em que ele estava mexendo era feito de pano, pano bem fino, pintado para parecer de metal.

      - O senhor dirige um clube - perguntei, cortante -, ou uma espécie de igreja? Tem uma porção de gente esperando pelo domingo, aqui, como nunca esperaram para ir à igreja. Tem gente falando em "estar perto de Deus", que nunca na sua vida disse a palavra "Deus" enquanto os conheci e olhe que conheço a maioria deles há muitos anos.

      Por fim ele pareceu compreender que eu não estava satisfeito com ele, que eu achava melhor ele dar o fora.

      - Se o senhor quiser, eu lhe explico - disse ele. Mal ouvia o que ele falava. Meteu-se debaixo do painel do teco-teco e começou a tirar um dos mostradores. - Alguns dos novos alunos ficam entusiasmados. Levam um bocado de tempo para não dizer em voz alta o que estão pensando. Mas têm razão, claro. E o senhor também tem. É como uma religião, voar. - Endireitou-se um momento e procurou, na caixa de ferramentas, outra chave de fenda, com um cabo menor, e sorriu para mim, um sorriso confiante e irritante, que dizia abertamente que não iria embora só pelo fato de pessoas responsáveis lhe estarem pedindo. - Acho que isso faz de mim um missionário - disse.

      - Basta - falei. - Já estou farto de ouvir essa história de voar-me-aproxima-de-Deus. Por acaso o senhor já viu Deus no seu trono? Já viu anjos voando em volta do seu avião? - Fiz-lhe essas perguntas para chocá-lo, para tirá-lo do seu convencimento.

      - Não - respondeu ele. - Nunca vi Deus no Seu trono, nem anjos de asas brancas. Nem nunca conheci pilotos que os tivessem visto. - Estava de novo debaixo do painel. - Um dia, quando o senhor tiver tempo, meu amigo, posso lhe explicar por que as pessoas falam em Deus quando pilotam aviões.

      Eu já lhe tinha dado corda suficiente para se enforcar e dali a pouco ele estaria dizendo - ... bem ... ah ... - gaguejando, provando que era muito melhor ele trabalhar numa fábrica de sabão do que estar dando uma de missionário.

      - Pode falar agora mesmo - retruquei. - Sou todo ouvidos. - Não me dei ao trabalho de lhe dizer que sabia mais sobre Deus e a Bíblia do que ele ficaria sabendo em mil anos, com os seus aviõezinhos. Sentia um pouco de pena dele, que não sabia com quem estava falando. Mas ele próprio tinha provocado aquilo, com a ridícula história do "clube de vôo".

      - Ok - disse ele. - Vamos tirar um minuto para definir aquilo de que estamos falando. Em vez de dizer "Deus", por exemplo, vamos dizer "céu". O céu não é Deus mas, para as pessoas que gostam de voar, o céu pode ser um símbolo de Deus e, pensando bem, até que um bom símbolo.

      - Quando a gente está pilotando um avião, tem-se muita consciência do céu. O céu está sempre lá em cima ... não pode ser enterrado, transladado, acorrentado, arrasado. O céu existe, apenas, queiramos nós ou não, olhemos ou não para ele, amemo-lo ou odiemo-lo. Existe; quieto, grande, presente. Talvez o senhor não entenda, o céu é uma coisa muito misteriosa. Está sempre movendo, mas nunca desaparece. Não liga para nada que seja diferente dele. - Tirou o mostrador, mas continuou a falar, sem pressa.

      - O céu sempre existiu, sempre existirá. O céu não entende mal, não fica ofendido, não exige que façamos nada em especial, em nenhuma altura. Não é um bom símbolo de Deus?

      Era como se ele estivesse falando consigo mesmo, enquanto mexia no mostrador, lenta e cuidadosamente.

      - É um símbolo muito fraco - falei -, porque Deus exige ...

      - Um momento - disse ele, como se estivesse quase rindo de mim. - Deus não exige nada desde que não Lhe peçamos nada. Mas, quando começamos a querer saber sobre Ele, as exigências começam, não? O mesmo acontece com o céu. O céu nada exige de nós até que nós começamos a querer saber acerca dele, até querermos voar. Aí, ele exige muito de nós e dita leis que temos de obedecer.

      - Alguém disse, certa vez, que a religião é um modo de descobrir o que é verdadeiro, e a definição não me parece má. A religião do piloto é voar ... voar é a sua maneira de descobrir a verdade a respeito do céu. E ele tem de obedecer a essas leis. Não sei como o senhor chama as leis da sua religião, mas as leis da nossa são chamadas "aerodinâmicas". É só segui-las, que a gente voa. Se não as seguirmos, não adianta empregar palavras difíceis ou frases sonoras ... nunca se sairá do chão.

      Agora é que eu o pegava. - E que me diz da fé? Um homem tem que ter fé ...

      - Não interessa. A única coisa que interessa é seguir as leis. Sim, é preciso ter fé suficiente para tentar segui-las, mas não acho que "fé" seja a palavra indicada. "Desejo" é bem melhor. É preciso querer conhecer o céu o bastante para experimentar as leis da aerodinâmica, para ver se elas funcionam. Mas o que interessa é seguir essas leis, crer ou não crer nelas.

      - Há uma lei do céu, por exemplo, que diz que, se você rolar com este avião através do vendo a quarenta e cinco milhas por hora, com a cauda abaixada e o peso indicado, ele voará. Vai se erguer do solo e começar a se mover rumo ao céu. Há muitas outras leis a partir daí, mas essa é uma lei básica. Não é preciso crer nela. É só preciso experimentá-la, pegar o avião a quarenta e cinco milhas horárias e ver com os próprios olhos. Pode-se fazer a experiência vezes sem conta, que sempre funciona. As leis não se importam de que se acredite ou não nelas. Apenas funcionam, sempre.

      - A gente não vai longe baseado na fé, mas vai-se aonde se quiser baseado no conhecimento, no entendimento. Se o senhor não entender a lei vai desobedecê-la e, quando se desobedece às leis da aerodinâmica, perde-se o céu muito depressa, eu lhe garanto.

      Saiu de sob o painel e sorriu, como se tivesse um exemplo especial em mente. Mas não me disse qual era.

      - Desobedecer a essas leis, para um piloto, seria a mesma coisa que "pecar", que é "desobedecer à Lei de Deus". Mas, para mim, os seus pecados são algo vagamente proibido, que a pessoa não deve fazer por razões que a pessoa não entende bem. Na aviação, não há pecados. Não há nada vago na cabeça de um piloto.

      - Se a gente desobedece às leis da aerodinâmica, se se tenta manter um ângulo de ataque de dezessete graus numa asa que estola a quinze graus, a gente se afasta de Deus a alta velocidade. Se a gente não se arrepende e ficam em harmonia com a aerodinâmica, terá de pagar algumas penalidades - como uma conta enorme de reparos no seu avião - antes de poder voltar ao céu. Na aviação, a gente só tem liberdade quando obedece às leis do céu. Se a pessoa não quer obedecê-las, ficará presa ao chão pelo resto da sua vida. E isso, para um piloto, é o que chamamos de "inferno".

      As falhas na "religião" do nosso homem eram suficientes para deixar passar um caminhão. - Tudo o que o senhor fez - observei - foi utilizar palavras da nossa igreja e substituí-las por termos de aviação!

      - Exatamente. O símbolo do céu não é cem por cento perfeito, mas é muito mais fácil de compreender do que muitas interpretações da Bíblia. Quando um piloto despenca do alto de um looping, ninguém diz que foi por vontade do céu que isso aconteceu. A coisa nada tem de misteriosa. O sujeito desobedeceu às leis do vôo, tentando um ângulo de ataque demasiado alto para o peso que ele tinha nas asas, e por isso despencou. Pecou, poder-se-ia dizer, mas nós não consideramos isso como um pecado, não delapidamos por isso. Foi apenas uma besteira, que mostra que ele tinha muito ainda a aprender sobre o céu.

      - Quando o piloto desce, não ergue o punho contra o céu ... fica furioso é consigo mesmo, por não ter obedecido às regras. Não pede favores ao céu, não lhe queima incenso, sobe de novo e corrige o seu erro, procura fazer a coisa bem. Talvez fosse melhor um pouco mais de velocidade, ao começar os loopings.

      O seu perdão só vem depois que ele corrige o seu erro. O seu perdão está no fato de ele estar agora em harmonia com o céu e os seus loopings serem perfeitos e bonitos. Isso, para um piloto, é o "paraíso" ... estar em harmonia com o céu, conhecer as leis e obedecê-las.

      Pegou num outro mostrador e rastejou de volta ao seu avião.

      - Alguém que não conheça as leis do céu dirá que é um milagre um avião tão pesado se erguer magicamente do chão, sem cordas ou arames que o icem, Mas só é um milagre porque eles nada sabem a respeito do céu. O piloto não acha que seja um milagre.

      - E o piloto comum, ao ver um planador ganhar altura sem precisar de motor, não diz: - Olha um milagre! - Ele sabe que o pil oto do planador estudou o céu com muito cuidado, antes de pôr o seu estudo em prática.

      - O senhor provavelmente não concorda, mas nós não adoramos o céu como sendo uma coisa sobrenatural. Não achamos que precisamos de ídolos nem de sacrifícios humanos. A única coisa que achamos necessária é entendermos o céu, é sabermos que as leis existem e como se aplicam a nós e como podemos melhorar em harmonia com elas, de modo a conquistarmos a nossa liberdade. É daí advém essa alegria que faz com que os novos pilotos digam que se sentem perto de Deus.

      - Quando um aluno começa a entender as leis e vê que elas funcionam para ele como para qualquer outro piloto, ele acha divertido e fica ansioso por vir até o aeroporto, da mesma maneira, talvez, que os padres gostariam que os fiéis sentissem desejo de ir à igreja ... para aprender algo de novo, algo que traz alegria, liberdade e libertação das cadeias que nos prendem à terra. Em suma, o piloto, ao estudar o céu, esta aprendendo e sente-se feliz, porque para ele todo dia é domingo. Não é assim que um fiel se deveria sentir?

      Por fim eu o pegara. - Quer dizer que a sua "religião" diz que os seus pilotos não são míseros pecadores, condenados ao inferno e à danação, ao fogo e ao enxofre?

      Ele sorriu de novo, aquele mesmo sorriso irritante que nem sequer me dava o consolo de pensar que ele me odiava.

      Bem, só se eles despencarem de um looping!

      Tinha terminado de mexer no avião e empurrou-o do galpão para o sol. As nuvens estavam se afastando.

      - Acho que o senhor é um pagão - disse eu, com todo o veneno que consegui reunir, e esperei que um raio o atingisse, só para provar que ele era mesmo pagão.

      - Sabe de uma coisa? - replicou ele. - Tenho de verificar o indicador de curvas deste avião. Por que não vem comigo e damos uma voltinha sobre o campo, para o senhor poder decidir se somos pagãos ou filhos de Deus?

      Percebi logo a sua intenção ... atirar-me lá do alto ou então acertar numa bolsa de ar e nos matar a ambos, tal o seu ódio por mim. - Nada disso. Eu que não entro nesse caixão! O senhor é um pagão e ainda há de purgar nas chamas do inferno!

      A resposta dele foi mais para si mesmo do que para mim ... tão baixa, que mal pude ouvi-la.

      - Nunca, desde que obedeça às leis.

      Subiu para o aviãozinho de pano e ligou o motor. - Tem certeza de que não quer vir? - gritou.

      Não me dignei responder e ele levantou vôo sozinho.

      Escutem-me, portanto, vocês que voam e vivem falando em "conhecimento do céu" e nas "leis da aerodinâmica". Se o céu é Deus, é também mistério e é cólera e os atacará com relâmpagos e afeições, fazendo-os sofrer pela blasfêmia. Desçam do céu, recuperem o juízo e não peçam mais a nossa companhia nas tardes de domingo.

      O domingo é um dia de se venerar o que está no alto, de elevar os corações e é bom que não se esqueçam disso.

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